quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Salmo do viciado




A droga é minha pastora, sempre terei necessidade.
Ela me faz deitar nas sarjetas;
Guia-me ao lado da águas sujas;
Destrói a minha vida.
Conduz-me pelas veredas da maldade por amor do esforço.
Sim, andarei pelo vale da pobreza e temerei todo o mal,
Porque a droga está comigo.
Tua agulha e cápsula tentam consolar-me;
esvazias a minha mesa de alimento na presença de minha família;
Roubas a minha capacidade de racionar.
Meu cálice de tristeza transborda.
Certamente o vício me acompanhará todo os dias de minha vida.
E habitarei na casa dos marginalizados para sempre.

Verdadeiramente este é o meu salmo. Sou uma jovem, de vinte anos de idade, e, durante o ano e meio passado, venho perambulando pela rua do pesadelo dos viciados em entorpecentes. Quero abandonar a droga e tento, mas não posso. A cadeia não me cura. Nem a hospitalização me ajuda por muito tempo. O médico disse à minha família que teria sido melhor, e na verdade, mais generoso, se a pessoa que meu deu a droga, pela primeira vez, tivesse pego uma arma de fogo e estourado meus miolos, e provera Deus que ela tivesse feito isso. Meu Deus, quanto desejo isso!


Se, pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” - João 8:36

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